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Samson C02 versus Behringer C2
 

Um amigo e membro aqui da lista me emprestou um Behringer C2. Apesar de eu já ter trabalhado com o C2 antes, foi a primeira vez que tive a oportunidade de comparar diretamente um com o outro, o que proporcionou este teste. Como os nomes são muito parecidos (C02 e C2), vou escrever Behringer e Samson para se referir a eles.

Ambos são microfones condensadores (precisam de Phantom Power para funcionar), de diafragma pequeno, fabricados pensando incialmente em overhall de bateria (os mics que ficam por cima da bateria, captando principalmente os sons dos pratos). O Samson inclusive vem junto dos kits de microfones de bateria da empresa, ou podem ser comprados o par avulso. O Behringer só é encontrado em par avulso (a empresa não fabrica kits para bateria, ainda...).

À primeira vista, qualquer um estranharia o fato do Samson ter quase o dobro do tamanho do Behringer. Mas nesse caso, tamanho não é documento. Na verdade, ambos tem a cápsula curta, uns poucos centímetros, seguido por um tubo. No caso do Samson, um longo tubo (já existe uma versão com tubo mais curto, disponível nos kits de bateria mais novos). A cápsula pode ser desenroscada do tubo facilmente.

Aliás, alguém pode perguntar para que serve uma cápsula destacável do corpo do microfone? Na verdade, ela permite ao fabricante aproveitar o mesmo corpo e intercambiar cápsulas com diferentes características. A Behringer, aliás, fabrica o B-5, que nada mais é que um C2 que também vem acompanhado com uma cápsula extra, omnidirecional. E, antes que alguém tente fazer, a cápsula dos Behringer não servem no Samson (não encaixam).

Uma característica chama a atenção no corpo: no Behringer há uma chave seletora, com três posições possíveis. As duas posições superiores, acompanhadas do desenho de uma linha plana e de uma linha com caimento representam o microfone com sua resposta original (a linha plana) ou com corte de graves. O manual não cita de quanto é o corte nem a partir de que frequência, falando apenas que é um corte "subsônico". Subsônicos são os sons abaixo de 20Hz, e quase com certeza o corte é maior que isso.  Mas não cheguei a testar essa funcionalidade.

Outra chave interessante é a de -10dB. A sensibilidade do microfone é diminuída, o microfone captará menos som. Útil para evitar vazamentos em relação a outros instrumentos. E falando de chaves, em um determinado teste o microfone não funcionou, fui verificar e o problema era o contato da chave, que não estava corretamente "encaixado" em uma das 3 posições.

As características técnicas dos microfones são as seguintes:

Ambos são cardióides, de alta sensibilidade, e ambos aguentam altos níveis de pressão sonora. Alguém já viu um baterista "descendo a lenha" em um prato? Por isso que eles tem que suportar altos níveis de decibéis, e isso ambos fazem muito bem, sem distorcer.

Quanto ao som, pelo gráfico podemos tirar as seguintes conclusões:

- o  Samson tem um incremento em médios e agudos, a partir de 3KHz, valor que chega ao máximo de +4dB em 9KHz, depois decaindo em uma curva bem suave. Quanto aos graves, o Samson tem uma característica rara em microfones feitos para overhall (por causa do diafragma pequeno): tem um bom grave, plano até 100Hz, com um roll-off suave de apenas -3dB até 50Hz.

- o Behringer tem um incremento suave a partir de 2KHz, alcançando um valor máximo que não dá para perceber exatamente, mas deve ser entre +3 ou +4dB também por volta dos 9KHz. Mas um pouco acima dos 10KHz ele dá uma queda abrupta, continuando bem plano até 20KHz. Quanto aos graves, ele tem um comportamento típico dos overhall, com uma queda bem acentuada a partir dos 200Hz, chegando a 50Hz em -10dB.

De ouvido, cheguei às seguintes conclusões:

- o som do Samson é bem mais "encorpado". É nítida a diferença na captação de uma voz masculina entre os microfones. No teste, a voz dos homens do coral com o Behringer só "apareceu" quando dei um pouco mais de graves na equalização do canal da mesa de som. Já para um violino quase não fez diferença, mas para o violão fez. Depois de equalizado, os resultados nos graves até ficaram bem semelhantes, mas ainda assim com o Samson era possível obter um resultado mais agradável, principalmente para vozes do tipo baixo.

- para médios e agudos, os sons de ambos são praticamente equivalentes. O roll-off mais "abrupto" do Behringer não chega a comprometer o resultado, mas o Samson ainda "ganha", por pouco (bem pouco), principalmente nos instrumentos que geram mais harmônicos acima de 10KHZ, aparecem mais detalhes. Mas gostei muito do Behringer, me pareceu ter ser mais equilibrado nessa região.

Uma coisa que estranhei, e muito, é a sensibilidade deles. Ambos eram para ter sensibilidade praticamente igual (-40dBV contra -41dBV), mas na prática, mantendo os ganhos iguais, tive que "abrir" bem mais o fader do Behringer para ele falar o mesmo que o Samson. Nada que uma regulagem de ganho não resolva (seria só necessário abrir mais o controle), mas ainda assim, parece que alguém "exagerou" no manual. Como usei com o coral da igreja a que estou acostumado, tive que abrir o fader em um nível que, no Samson, eu teria uma bela microfonia. E não era por causa da chave de atenuação em -10dB, pois eu testei os Behringer com a chave na posição "flat" (estranhei tanto que conferi depois, e realmente estava flat). Mas foi só colocar ganho para o microfone "aparecer".

Notem o seguinte: ambos são muito bons na função de microfonação de corais e mesmo para instrumentos. As diferenças encontradas eu consegui praticamente "tirar" na equalização e em um simples ajuste de ganho.

Ambos os mics vem acompanhados dos cachimbos (o da Samson é mais "firme" e aparenta ser resistente, o da Behringer também segura bem, mas parece inquebrável), e os windscreen (as "espuminhas"). Só que o windscreen da Samsom é toda bem acabada, com estrutura interna em plástico (e parece durar para sempre, se bem cuidada), enquanto a da Behringer nada mais é que a espuma, e aparenta que logo vai se acabar. 

Ambos trazem manuais bem decentes, o da Behringer vem em quase 10 línguas diferentes, enquanto o Samson vem com manual em inglês e português.

Por último, a caixa da Behringer se destaca por trazer um útil acessório que permite montar os dois mics em um único pedestal, tornando o ato de montar um sistema de microfonação X-Y facílimo, entre outros usos. Muito interessante.

O acabamento de ambos é muito bom, mas estranhei uma coisa. No Samson, o encaixe dos plugues XLR é perfeito. No Behringer, o encaixe de um conector XLR da Neutrik foi muito difícil,  entrou "apertado", tendo que fazer força até conseguir travar. Já esses plugues "genéricos" (muitas vezes fora de especificações) entraram de forma bem firme, enquanto no Samson eles tem folga (que é o normal).

Quanto ao preço, já vi o Behringer com preços entre R$ 320,00 e 350,00 (o par) e o Samson entre R$ 360,00 e R$ 450,00. Dá para achar o Behringer mais barato, bem mais barato, mas por vias "tortuosas".

Qual é melhor? Em termos de sonoridade, o Samson "ganha" nos agudos e "ganha muito" nos graves, e é mais versátil: servirá para usos em que mais grave é necessário. Mas o Behringer não é ruim, só exigirá um pouco mais de equalização e ganho para ter um resultado semelhante. O Behringer, além de ser mais barato, tem a vantagem do acessório e da chave -10dB, útil para quem vai trabalhar com microfonação de instrumentos. Decisão? Empate técnico! Quem prefirir uma sonoridade melhor, invista no Samson. Mas quem comprar um Behringer não vai se arrepender.

 
 
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