Após o House Mix, Pedruzzi foi falar dos monitores, os retornos dos músicos e cantores.
Escolha e posicionamento de monitores
Monitorar os músicos é uma necessidade óbvia. E a primeira coisa que devemos fazer é escolher monitores apropriados. Sonoridade, capacidade de potência na banda passante, níveis máximos de pressão, cobertura, tamanho e peso são algumas características que observamos nesta escolha. Estas características podem ser tão diferentes quanto suas aplicações. Certamente o monitor para um baterista é bem diferente do monitor para o pianista. E até mesmo para diferentes bateristas, os monitores são freqüentemente diferentes também.
Assim, para nós, operadores, a escolha dos monitores tenderia a ser quase que uma caixa diferente para cada instrumentista. Mas isto seria impraticável, já que para ouvirmos o que cada músico ouve com a maior fidelidade possível, deveríamos ter como escuta todo tipo e caixa que estivéssemos usando no palco!!! Pode parecer bobagem, mas da mesma forma que temos nossas preferências por diferentes microfones para captar diferentes instrumentos, é razoável que tenhamos preferência também por diferentes monitores para reproduzir estes diferentes instrumentos.
Na maioria das vezes, o que temos é apenas um tipo de caixa como wedge (monitor do house mix), a mesma que colocamos para todos os músicos. E, mesmo se estamos usando dois ou três tipos no palco, ainda usamos, na maioria das vezes, uma única como referência, igual às utilizadas nas mixagens mais críticas.
Usar um único tipo de monitor para toda a banda, mais um complemento de grave onde necessário, para o baterista por exemplo, é a alternativa mais comum. Esta flexibilidade na utilização, no entanto, não é atributo de todo monitor. Ter uma caixa que soe bem para todos os músicos é um grande trunfo, já que estaremos próximos de ouvir o mesmo que cada um deles.
O Monitor Ideal
O que deve ter um monitor para ser considerado ideal? Capacidade de potência elevada é sempre muito bom, pelo headroom que nos proporciona. Também é muito importante uma resposta uniforme de freqüências fora do eixo principal, dentro da cobertura nominal. Se uma caixa apresenta picos acentuados em determinadas freqüências fora do eixo principal, podemos ter problemas com realimentação à medida que o cantor, ou músico, se desloque para fora desse eixo. Ou, no mínimo, a sonoridade muda para ele, o que também não é nada bom.
Falando de cobertura, ela pode ser ou muita estreita ou muito aberta. Nossa escolha recai no primeiro caso se formos monitorar um músico que não se mexe durante o evento. O maior problema aqui é ter as coberturas dos componentes da caixa, normalmente falante e driver com corneta, coincidentes. Quando escolhemos uma cobertura maior, sempre ditada pela corneta, é pela necessidade de cobrir áreas maiores no palco. Nas duas situações, um bom projeto de monitor escolhe a freqüência de corte entre os componentes buscando, entre outras coisas, uma transição suave entre suas coberturas.
Alguns projetos de monitor utilizam cornetas com cobertura vertical assimétrica. O lóbulo de radiação vertical é maior para baixo do que para cima, na intenção de manter uma pressão uniforme para o músico desde perto até mais longe do monitor, ver figura 1(cornetas assimétricas também são encontradas em alguns sistemas de PA, que usam em suas caixas de down fill). Outros projetos, com esta mesma finalidade, fazem um ângulo mais suave com o solo, na corneta bi-radial do monitor, como se pode ver na figura 2.
 Figura 1 – vista lateral de um monitor com corneta assimétrica, mostrando seu lóbulo de radiação vertical.

Figura 2 – vista lateral de um monitor com corneta bi-radial mais apontada para o solo.
Temos que ter cuidado quando usamos uma quantidade grande de monitores tocando para um mesmo ponto, para um cantor por exemplo. Podemos ter muito combing provenientes de suas cornetas. É melhor que tenhamos um menor número de monitores mais potentes. Posicionamento do Monitor
Devemos sempre conhecer a figura de captação do microfone, pois vamos apontar o monitor para as regiões de nulos na sua captação. Desta maneira garantimos a maior margem de segurança antes da realimentação. Ver figura 3. Se for assim, então para um supercardióide a posição ideal do monitor seria apontado para um eixo a 60° do eixo traseiro (ou seja, 120° do eixo frontal), como mostrado na figura 3. E é normalmente como usamos no cantor. Para um cardióide, a posição ideal do monitor seria apontado exatamente para seu eixo traseiro, como mostrado na figura 4. E é raramente como usamos no cantor.
Cuidado para não montar seu grupo com o solista usando cardióide com monitores nos lados dele e o grupo usando supercardióides com os monitores à frente (ou vice-versa). É claro que “dá para trabalhar”, mas não termos as posições ótimas entre falantes e microfones. E nem a margem mais segura até a realimentação.
Quando escolhemos a posição dos monitores, além do cuidado com os microfones, devemos levar em conta também toda a energia proveniente do PA, afinal ele existe e estará funcionando durante o evento. Teste a posição do monitor em volta do grupo até que some o máximo possível com o do PA. Ou procure o maior cancelamento entre eles, o que é mais fácil de se ouvir, e inverta a polaridade da via deste monitor. Ter o monitor em fase com o PA implica em ouvir o necessário volume com níveis mais baixos de monitoração e, conseqüentemente, ter maior margem até a realimentação . a escuta fica mais agradável também, especialmente na região de baixas freqüências.
 Figura 3 – Posição do monitor em função da Figura 4 – Posição do monitor em captação de um microfone supercardióide. função da captação de um microfone cardióide
Conclusão
Fazemos uma quantidade de considerações na escolha de monitores, todas elas conferidas com a audição dos mesmos. Todas as características fazem sentido se podem ser constatadas auditivamente. Devemos ouvir atentamente cada item para entender seu desempenho, que nos permitirá preferir um outro entre os monitores.
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