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Por que é tão difícil falar de valores em nossa classe?
 

Gostaria da opinião dos mais experientes no mercado, assim como também os mais novos, sobre o porquê é tão difícil falar de valores em nossa classe?

Pedimos uma padronização de valores, reclamamos de valores baixos em tabela, isto quando existe tabela, ou quando existe a divulgação da mesma, reclamamos de ser imposto um valor pelo contratante e não nós nos valorizarmos dando o orçamento sobre nosso valor de trabalho, mas quando se existe o questionamento, como em outro tópico feito por um membro do Gigplace, a maioria é omissa a responder, principalmente, se o questionamento é feito por alguém menos conhecido no mercado.

Será que por serem menos conhecidos no mercado, alguns se importem em pensar que fica feio pra ele falar alguma coisa? Tipo, se o Joao das Tantas que faz o artista Pinça Grossa quem está falando, então, posso também responder sem vergonha.

Assim como no futebol, nosso mercado tem os que ganham seu milhar, como tem os que ganham centenas ou dezenas por show, mas não entendo como é que as pessoas se sentem tão ofendidas em falar sobre o assunto.

Direito de cada um se expressar ou não, assim como direito de cada um pensar que falar sobre valores pode alertar para inveja de vários e vai acabar perdendo o trampo pra outro, mas como podemos mudar e valorizar o mercado, se temos receio sobre o assunto?

Um dia deste, estava lendo em outra comunidade do audio, a questão de um operador ter cobrado dezenas de milhares para mixar pra um canal de TV Por Assinatura um festival internacional, e a mesma recusou por achar caro. Veio outro e cobrou menos da metade, não sei nem se procede a informação, mas meu ponto de vista ele está mais que certo cobrar quanto acha devido, aceita quem quer.

Muitos reclamam e falam mal por alguém está recebendo R$ 150,00 por show em atendimento de bandas locais, outros se acham o máximo por estar recebendo R$ 300,00 por evento por bandas de renome nacional, quem sabe, agora internacional com o mercado sertanejo cada dia mais em alta. Esquecem que muitas vezes na viagem, perdem o dia anterior e o dia seguinte ao show em ônibus ou aeroporto.

Estou falando do mercado de segmento sertanejo, pois o universitário que não se forma nunca, pelo contrario ganha cada dia mais ramificação como forronejo, funknejo, pagodejo e tantos outros, é o que está na moda no momento e a cada dia aparece uma dupla nova no boteco da esquina, ou como a moda impõem agora, cantor solo.

As comparações a seguir, são baseadas neste mercado, onde já estou nele há 06 anos. Por causa deste sertanejo que não é meu gosto pessoal de música, mas o segmento principal para meus freelancers, que decidi financeiramente largar de vez a carreira como Programador Senior por 08 anos no Ministério do Trabalho e Emprego (SEDE) com últimos salários base de R$ 4300,00.

Se o cara recebe R$ 150,00 por evento, de um artista que está começando ou já tem anos que não sai do lugar, com cachê variando entre 1500 a 3000, é igual a 10% a 20% do valor. É vergonhoso receber neste caso R$ 150,00? Acredito que não.

Se ainda no mesmo pensamento, compararmos artistas que ganham entre 70.000,00 a 200.000,00 e a paga fica entre seus 250,00 a 1.500,00 por evento, então a porcentagem sobre isso cai pra menos de 0,4%.

Na mesma linha de raciocínio, quantos que acompanham artistas desde quando eram locais e conseguiram uma projeção nacional, não conseguiram acompanhar a evolução de seu cache, enquanto o artista pulou para milhares % de aumento, o técnico conseguiu no máximo, algumas centenas de % em seu cachê.

Muitos falam de boca cheia, eu não faço evento de R$ 150,00. Isso é muito bom, continue assim, valor quem tem que dar primeiro, é a própria pessoa em si mesmo, mas vejo diversas vezes fazendo evento com locadoras onde são 10 dias por 1500 ou uma semana na estrada pelo mesmo valor. E a conta final é quanto por dia?

Infelizmente, temos patrões dizendo que estão colocando mais de um milhão em equipamento e não estão tirando nada, e por isso não pode pagar uma diária de 500,00. O erro é nosso de estar pedindo os 500 ou do patrão que não está valorizando o seu milhão em equipamento? Afinal, se você acha que seu valor, pelo seu conhecimento, experiencia, disponibilidade e uma série de fatores te levam a cobrar isso, porque aceitar os 150,00 ou talvez no máximo 250,00 imposto pelo patrão?

Como no exemplo dado, o artista com cachê baixo, não tem possibilidade de te pagar mais, conseguir puxar mais que 10% do valor que foi fechado o trabalho dele, é saber negociar muito bem, agora tem quem vá para este tipo de trabalho e tem quem em sua rede de clientes receba vezes este valor e está indisponível para este tipo de situação vexatória e constrangedora.

E esta é a questão principal, uma rede de clientes que pagam melhor, vem na medida em que se consegue divulgar melhor o nosso trabalho. Se valorizar, também inclui o comportamento, a forma de atendimento e N questões que geram indicações e por fim, fica um comercio como o futebol, existem times e TIMES, jogadores e JOGADORES, 150 e 1500.

Em meu plano pessoal de carreira neste mundo do áudio, comparo muito em como eu estaria se ainda estivesse no mundo da informática, prestando serviço para órgão publico que tem uma valorização maior no salário, hoje consigo em meus treinamentos, gravações e ainda shows (desta parte quero sair), passar o valor do salário mensal de um Analista de Sistema, almejo muito neste ou quem sabe o próximo chegar ao salário de um Coordenador de Informática, ou mais ainda.

Mas não foi fácil chegar até aqui, já carreguei caixa, troquei reparo, fiz reparo (gato), recebi R$ 30,00 por dia, R$ 150,00 pra carregar, descarregar, montar, passar cabo, operar e o trabalho inverso, já molhei as costas pra subir em escada com caixa pra não escorregar, já apaguei mesa, perdi cena, queimei coisas, troquei coisas, esqueci coisas, tomei gritos, fui xingado, minha mãe foi xingada, pensei em desistir, fui pro hospital por travamentos musculares depois de choque elétrico, engessei partes do corpo por acidente, briguei com minha esposa por não poder ir em alguma festa da escola das minhas filhas ou festa de algum parente, briguei com minhas filhas por não me deixarem dormir, virei noites sem dormir e tantas coisas que cada dia mais me fez valorizar minha experiência e conhecimento que não é nada, pois cada vez que acho que aprendi alguma coisa, novidades aparecem e aí que vejo que tenho muito que aprender.

Acabei fugindo do assunto... Mas voltando pro mesmo, como podemos criar padrão de cachê para ser adota por nossa classe, se ainda temos o agravante de não sermos maduros o suficiente? Não podemos "travar" na hora de falar sobre valores, seja por vergonha ou para evitar a cobiça?

 
 
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